Apesar de preocupações com privacidade, anunciantes continuam investindo em Google e Facebook

Esta semana, as duas gigantes da publicidade digital divulgaram seus resultados para o primeiro trimestre de 2018. As cifras indicam que os anunciantes seguem destinando seus orçamentos para as duas plataformas, mesmo com a ampliação do debate sobre privacidade de dados.

A Alhphabet, matriz do Google, reportou uma receita de US$ 31,1 bilhões para o trimestre, 26% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Já o lucro líquido alcançou US$ 9,4 bilhões, um salto de 73% sobre o primeiro trimestre de 2017. Os resultados, apresentados na segunda-feira (23), superaram as expectativas dos analistas.

Em conferência com investidores, Sundar Pichai, CEO do Google, informou que a empresa começou a se adequar ao GDPR (General Data Protection Regulation) há cerca de 18 meses e salientou o compromisso com a regulamentação europeia de privacidade de dados.

Ao ser questionado sobre até que ponto o GDPR afetará a segmentação de anúncios do Google, tornando-a menos atraente, Pichai revelou não estar muito preocupado, já que a maior parte do negócio de anúncios do Google permanece centrada na pesquisa “que depende de uma quantidade limitada de informações armazenadas”.

Por enquanto, o Google ainda não enfrentou a mesma pressão que o Facebook vem sofrendo após uma série de revelações envolvendo a coleta indevida de dados de milhões de usuários pela empresa parceira Cambridge Analytica. Mesmo com toda a polêmica, o faturamento da rede social aumentou em 50% no primeiro trimestre do ano, para US$ 11,9 bilhões, segundo resultados financeiros divulgados na quarta-feira (25).

As previsões do mercado apontavam para um faturamento de US$ 11,4 bilhões, pouco inferior ao registrado. O lucro do Facebook avançou 63%, para US$ 5 bilhões, contra os US$ $3,06 bilhões registrados no primeiro trimestre do ano anterior, o que levou à alta de 4% das ações.  Apesar disso, o vazamento de dados do Facebook já levou à perda de 9,5% do valor dos papéis da rede social em Wall Street ao longo do ano.

A confiança abalada por parte dos anunciantes deve afetar as receitas da rede social no próximo trimestre, especialmente o faturamento com a publicidade, conforme preveem os analistas. Já os usuários ativos do Facebook cresceram de 1,4 bilhão para 1,45 bilhão, contudo, o tempo gasto na rede social vem sofrendo queda.

Enquanto isso, as preocupações com a privacidade continuam sendo um grande problema para todas as grandes empresas de tecnologia, à medida que os consumidores estão mais atentos aos casos crescentes de violações de dados por terceiros, e os anunciantes, por sua vez, temem associar suas marcas a plataformas com esses problemas.

De acordo com uma pesquisa realizada em março pela empresa Raymond James, mais de oito em cada 10 usuários de internet nos Estados Unidos estão, pelo menos, um pouco preocupados com a forma que seus dados pessoais estão sendo usados ​​no Facebook.