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Cazamba prepara plataforma compatível com ecossistema programático

Com crescimento sólido e elevação de receita de quase 200% projetado para este ano, a Cazamba, empresa de tecnologia de campanhas digitais prepara plataforma para oferecer aos clientes modalidades de mídia programática no ano que vem. Pressionada por agências, que cada vez mais buscam eficiência e automação, a nova tecnologia deve oferecer à companhia mais flexibilidade para evoluir o negócio para novas modalidades no futuro.
Em meio a uma reestruturação, a Cazamba prepara a construção de uma plataforma compatível ao ecossistema de mídia programática, que irá permitir agências oferecerem as campanhas em formatos diferenciados que a empresa já oferece, mas de maneira automatizada.

À frente da empresa desde janeiro como CEO, Flavio Pereira conta que o principal objetivo das mudanças que estão acontecendo internamente — bem como a compatibilidade e automação — são partes do processo de profissionalização da companhia, que ganha maturidade após ciclos sólidos de crescimento. Neste ano, a receita da empresa está projetada em crescer quase 200%. “A gente sempre trabalhou com formatos diferenciados. Vamos lançar uma nova plataforma de mídia porque a gente percebeu que o mercado está mudando muito rápido para programático, RTB e mídia automatizada”, justifica.

Victor Canô, um dos fundadores e CTO da empresa, é o responsável pelo desenvolvimento tecnológico, que está sendo realizado seguindo os insights das relações de negócios construídas com agências. “Ele está criando uma estrutura tecnológica para mudar [a direção da solução da Cazamba para onde quisermos. Vamos ter flexibilidade para tomar decisões rápidas de acordo com o mercado está buscando. Se tiver demanda, podemos oferecer private marketplace, por exemplo”, explica Pereira. Canô está por trás de toda a inteligência de tecnologia da companhia desde a fundação, até hoje. Segundo o CEO, a companhia se encontra numa posição privilegiada, pois o contato com as agências traz uma visão sem influências de como elas veem a mídia programática no Brasil.

E ele diz que as empresas voltaram os olhos para programático principalmente nos últimos quatro meses, pressionados por mais eficiência durante um momento econômico delicado no Brasil. “Quando você tem uma crise no mercado, você tem que responder com ROI. Hoje, as [empresas] que entregam mais ROI fazem programático. E isso meio que se espalhou, muito mais pelo momento da economia do Brasil”, conta. E completa: “Não vamos ser uma empresa de programático, mas vamos poder escolher para onde quer ir, e esse é um dos caminhos”.

Pereira explica que a mudança de direção é, de certa forma, de acordo com o foco em resultados que a Cazamba tem aplicado até agora. Ele menciona um dos clientes, uma “grande escola de inglês no Brasil”, que no primeiro mês ele triplicou a quantidade de novos assinantes após rodar uma campanha com a Cazamba. E aproveita para argumentar que os formatos interativos e diferenciais da companhia, em comparação com algumas modalidades de venda automatizada, podem contribuir para uma maior valorização de automação da mídia em termos de precificação. “Criou-se uma ideia, que é errada na minha opinião, de que programático é barato. A nossa rede tem preço competitivo, mas não competitivo quanto algumas modalidades de programático que pagam 2 centavos com CPM”, compara. “Aqui no Brasil nós temos uma cultura do ‘bom e barato’. Esse viés cultural faz com que o mercado tenha essa visão deturpada do programático”.

Quando pronta, a nova plataforma tecnológica vai permitir também o início da operação internacional — que deve chegar a outros países latino-americanos, o primeiro alvo da Cazamba no mercado global. Ele menciona a Argentina que, segundo dados do eMarketer, deve ser o país que mais vai crescer em mídias digitais em 2019. O Chile também está na mira.

A previsão de lançamento da plataforma é até o fim do primeiro semestre do ano que vem.