Combate às fake news durante eleições; consumidores brasileiros são omnishoppers

No giro de notícias da semana, os destaques do mercado digital: com apoio do Governo e da Polícia Federal, grupo formado por órgãos federais deve propor lei para investigar, coibir e punir pessoas envolvidas na utilização de notícias falsas no ambiente digital para interferir na disputa entre candidatos; maioria dos consumidores brasileiros (79%) já são omnishoppers, segundo estudo global da Criteo.

Brasil monta grupo para combate às fake news durante eleições

Pela primeira vez, os candidatos às Eleições 2018 no Brasil poderão fazer propaganda política paga na internet. Se, por um lado, a novidade irá aquecer o mercado de publicidade digital e programática, ela também acende o debate acerca da veracidade e transparência das informações, o que inevitavelmente abala a reputação do ecossistema digital brasileiro.

Como vimos nos EUA, as eleições de Trump foram marcadas por polêmicas envolvidas com “fake news” (notícias falsas) plantadas principalmente no Facebook, que acabaram por impactar nos resultados das urnas. De olho nisso, a Polícia Federal anunciou, esta semana, que vai criar em Brasília um grupo de trabalho formado por diversos órgãos federais com intuito de debater formas de barrar a disseminação de “fake news” durante as Eleições 2018.

Composta por membros da PF, Tribunal Superior Eleitoral e Procuradoria Geral da República, a equipe atuará como uma força-tarefa para enfrentar o problema, conforme informou o Jornal Folha de S. Paulo. De acordo com o veículo, a PF também deve propor a elaboração de uma nova lei específica para criar instrumentos para investigar, coibir e punir pessoas envolvidas na utilização de notícias falsas para interferir na disputa entre candidatos. A expectativa da PF é que a lei seja aprovada no Congresso e aplicada ainda antes das eleições de outubro.

Para endossar o combate às notícias falsas no ambiente online brasileiro, o Facebook apresentou, esta semana, que irá apoiar dois projetos em 2018. O primeiro trata-se da iniciativa “Vaza, Falsiane!”, um minicurso online gratuito que visa conscientizar a população sobre como identificar notícias falsas. O curso está sendo criado pelos professores Ivan Paganotti (MidiAto ECA-USP), Leonardo Sakamoto (PUC-SP) e Rodrigo Ratier (Faculdade Cásper Líbero).

Já o segundo projeto apoiado pela rede social é denominado de “Fátima”, um chatbot que poderá ser utilizado no Messenger para ajudar usuários a checar fatos e identificar notícias falsas. O software foi desenvolvido pela agência de checagem de fatos Aos Fatos, membro International Fact-Checking Network.

Consumidores brasileiros já são omnishopppers

Os consumidores brasileiros (79%) já são omnishoppers, ou seja, utilizam mais de um canal, seja ele físico ou virtual, para efetuar compras. É o que mostra um recente mapeamento da Crieto, The Shopper Story 2017, que investigou os hábitos de compra de 10 mil consumidores de países entre 16 e 65 anos, de países como EUA, Japão, Reino Unido, Alemanha, França e Brasil. Globalmente, mais de três quartos dos consumidores já aderiram ao omnichannel.

O levantamento também revela que o showrooming, prática que envolve um primeiro contato com o produto em uma loja física e a realização da compra no ecommerce, já é utilizado por 64% dos brasileiros – sendo que 29% o realizam regularmente. Em comparação, 62% dos participantes são adeptos eventualmente do webrooming (a pesquisa inicial é feita na internet, enquanto a compra efetuada no varejo tradicional), sendo que 20% o fazem com frequência.

E por que as marcas devem ficar de olho nos ommishoppers? A resposta: em média, eles gastam 7% a mais no varejo virtual e 44% a mais no tradicional. “Dessa forma, a decisão de onde, quando e como comprar depende de diversos elementos, como comodidade, facilidade e, claro, preço”, comentou Alessander Firmino, diretor geral da Criteo para o Brasil e América Latina. Sendo assim, o executivo ressalta que uma estratégia de marketing bem-sucedida precisa focar no cliente e não no canal de vendas ou dispositivo.

Quando já estão decididos sobre o querem comprar, 73% dos consumidores recorrem diretamente aos sites, e não a mecanismos de busca, para pesquisarem mais informações sobre o produto. Mesmo quando não estão procurando um produto específico, os sites dos varejistas também são acessados primeiramente por 51% desses consumidores.

No Brasil, 56% dos consumidores disseram gostar de receber anúncios de retargeting, principalmente se contêm descontos. Além disso, 29% veem o retarting como uma forma de lembrete dos produtos que planejam comprar.

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