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IAB Brasil quer deixar postura reativa e ser mais proativo, afirma novo presidente

Para Cristiano Nobrega, CEO e cofundador da plataforma brasileira Tail e também novo presidente do IAB Brasil, entidade deve se antecipar às principais discussões do mercado e garantir a representatividade do setor na formulação de políticas setoriais. 

Os desafios do IAB Brasil para 2017 continuam pautados por bandeiras estratégicas do setor que já eram prioritárias no ano anterior, como fraude, ad blocking, privacidade, mobile, vídeo, viewability e transparência. O que muda este ano, de acordo com o novo presidente da entidade, Cristiano Nobrega (foto), é a forma como a entidade se organiza a fim de se posicionar com mais agilidade e eficiência para defender os interesses do setor de mídia digital.  

“Por meio de mudanças que já estão em andamento, o IAB deixa de ser reativo e passa a ser proativo, liderando iniciativas para munir o mercado de maneira mais contundente do que vinha fazendo”, pontua. Mais do que nunca, o foco para 2017 será garantir representatividade do setor na formulação de políticas setoriais, discussões e debates que possam fazer o mercado crescer.

À frente da ad tech brasileira Tail – Target Audience & Insights Lab, Cristiano Nobrega, é o primeiro presidente da entidade representante do mercado de plataformas. Imerso em um ambiente de dados e mídia programática, o executivo transita tanto pelo lado buyside, quanto sellside, o que traz um sopro novo ao ambiente do IAB e, sobretudo, uma mensagem de diversidade e comprometimento na representação e defesa dos interesses do setor como um todo.

O mercado digital segue em ritmo de crescimento intenso e a expectativa é manter o avanço na casa de dois dígitos, apesar do IAB ainda não ter divulgado suas previsões para o ano. Mesmo assim, o clima é de otimismo em relação a 2016, tendo em vista o grande potencial ainda a ser explorado no Brasil, um mercado ainda pequeno em comparação a outras regiões mais maduras. Contudo, o novo presidente reconhece o impacto das tecnologias em evolução, o que exige esforços constantes da entidade, bem como do setor.  

“O mercado de mídia digital vem passando por uma transformação dinâmica com as plataformas de mídia programática, se tornando um ecossistema cada vez mais granular. Além disso, há uma discussão do que é digital e do que não é, e essa fronteira está cada vez menos nítida. Hoje a TV é digital, então daqui a pouco a gente começa a ter uma discussão pertinente do que significa o tamanho desse mercado digital”, complementa.

Menos reativo e mais proativo

Para o novo presidente, a postura até então adotada pelo IAB poderia ser vista como mais reativa à medida que ações eram tomadas conforme grandes discussões surgiam no mercado, resultando em iniciativas tímidas e pontuais. Para alterar essa dinâmica, desde o início da nova gestão, em janeiro, a atuação do IAB passou a contar com dois ingredientes importantes.

Do ponto de vista estrutural, há uma aproximação maior entre os comitês e board, onde as decisões são tomadas, o que gera mais agilidade. Além disso, a entidade ganhou um núcleo de pesquisa, empregando mais energia na elaboração de estudos que possam auxiliar na tomada de decisões pelos gestores do setor, bem como ajudar a dimensionar o mercado.

Já a segunda frente tem um caráter mais estratégico. Trata-se da adoção de uma abordagem voltada para relações governamentais e políticas públicas relacionadas a temas relevantes para o mercado de mídia digital. “A representatividade crescente do digital no bolso publicitário traz uma exposição grande a assuntos relacionados à regulamentação e políticas públicas que podem impactar diretamente nosso setor e interesse dos associados”, acrescenta Cristiano Nobrega.

Dessa forma, esse planejamento estratégico, suportado por uma assessoria especializada em Brasília, permitirá que o IAB se posicione e trabalhe para influenciar os agentes envolvidos na elaboração de regras setoriais e regulamentações com objetivo de preservar a capacidade do digital de construir valor e continuar sendo inovador.

Alguns pontos que já estão no radar do IAB: temas relacionados à tributação do meio digital – “como a recente definição sobre a aplicação de ISS em relação à verba publicitária dos veículos de internet” -, e questões de privacidade, que ainda estão restritas ao ponto de vista do Marco Civil, mas que já estão andamento por meio do projeto de lei sobre privacidade dos dados pessoais.