Precisamos falar sobre fraude

A fraude na publicidade digital avança como um dos maiores crimes organizados do mundo corporativo. Os prejuízos gerados por impressões fraudulentas levam bilhões da indústria todos os anos, enquanto as técnicas utilizadas por cibercriminosos estão cada vez mais sofisticadas. Neste artigo, Edmardo Galli, CEO da IgnitionOne no Brasil, alerta para a necessidade de encarar o problema menos como um pesadelo, mas sim como uma realidade a ser confrontada.

Quem nunca: sala de reunião lotada, agências, parceiros, clientes… A palavra “fraude” aparece e é como se alguém tivesse gritado VOLDEMORT. Se isso está entre seus pesadelos mais frequentes, convido você a enfrentá-lo, não só pelo bem da sua empresa, pelo bem comum. Pouco tem sido falado ou feito, na prática, sobre esse assunto que é cada vez mais recorrente. O lado bom: a mágica é simples, basta trocarmos informação.

Vamos ao princípio. Com o crescimento e consolidação do digital, tornou-se comum ouvir casos de fraudes principalmente em campanhas de display, o  que tem preocupado o mercado. A fraude ocorre quando robôs, chamados de “bots”, realizam tarefas simulando comportamentos de clientes reais, como cliques e compras online. Com isso, esses bots transformam-se em target para as empresas anunciantes e comprometem seu ROI.

Segundo a Double Verify, uma das empresas globais que ajudam a detectar e evitar fraudes, os publishers apresentam taxas médias de fraudes entre 2% e 7%, enquanto as AdExchanges possuem médias entre 6% e 30% e as AdNetworks entre 4% e 17%. Assustador, não?

Em uma pesquisa realizada pela ANA (American National Advertiser), essa prática fraudulenta gerou um prejuízo de US$ 6,3 bilhões aos anunciantes de publicidade digital dos EUA em 2015. Essa mesma pesquisa, também realizada pela WhiteOps (empresa de segurança digital), divulgou que hackers eram responsáveis pelas fraudes de 25% dos vídeos, 11% das peças de display, 17% do inventário de mídia programática e 19% do retargeting realizados no ano passado.

Nos EUA, tais ações fraudulentas ocorrem em maior número, uma vez que o mercado digital é maior e mais consolidado. Segundo o IAB (Interactive Advertiser Bureau), aproximadamente 40% das campanhas de impressões são marcadas por fraudes. A entidade ainda alerta que, se as empresas de marketing digital conseguissem eliminar ou evitá-las, ganhariam US$8,2 bilhões a mais por ano.

Ou seja, esse é um problema sério, que precisa ser discutido. Já que nenhum de nós está imune a este risco, é essencial que empresas do nosso setor colaborem entre si nesta guerra contra a fraude e tomem medidas para proteger seus clientes e prevenir que as fraudes se tornem frequentes e, em alguns casos, catastróficas.

É nosso dever, como indústria, discutir soluções e trabalhar para reduzir esse número! A título de exemplo, nós da IgnitionOne, em decorrência de ameaças recentes, iniciamos um fluxo de investimento em medidas extras de proteção contra práticas pouco éticas presenciadas no mercado. Uma das nossas principais ações é a estruturação de um departamento de Detecção de Fraudes e Prevenção e a importação de uma nova ferramenta que será inserida em nossa plataforma para auditar todas as campanhas a fim de evitar riscos potenciais.

Acredito que essa é a ponta do iceberg. Na era da desmaterialização de bens, aqueles players que dispontarem na luta por um ambiente digital mais seguro serão, sem dúvida, aqueles que resistirão a crises, bolhas e modismos. Definitivamente não é um trabalho fácil. Mas tenho certeza que cada pequena ação tomada visando mudar essa situação é válida. Nós, da IgnitionOne, começamos a fazer nossa parte e os convido a fazer o mesmo. E, quem sabe, juntar-se a nós.