Estamos nos aproximando de um cenário de mídia totalmente automatizada?

No artigo, o diretor geral para a América Latina da Rubicon Project, Patrizio Zanatta, analisa a evolução do mercado brasileiro em direção à integração dos diferentes canais de mídia de forma automatizada. Uma realidade que não está tão longe assim. Para colher os frutos da automação e oferecer uma experiência omni-channel aos usuários, empresas de mídia precisarão trabalhar juntas, unificando métodos e processos.  

O setor brasileiro de mídia e marketing está passando por uma grande transição. A tecnologia e os dados estão evoluindo com tal velocidade que, nos próximos 5 anos, veremos mais mudanças do que teve nos últimos 50 anos. Essa mudança está afetando o modo como entendemos os consumidores brasileiros e como planejamos e compramos mídia em nome dos anunciantes. Em outras palavras, a compra de mídia está sendo automatizada, eliminando o trabalho manual e maximizando a eficiência das comunicações de marketing.

Embora a “mídia programática” esteja em alta há um tempo, ela trata basicamente da aplicação inteligente de dados e tecnologia para automatizar e transformar a compra de mídia em um processo altamente direcionado e relevante. Esses benefícios estão agora começando a ultrapassar o ambiente programático “tradicional” e invadindo os canais de mídia que não estão normalmente associados à automação. Na verdade, não vai demorar muito para um cenário de mídia totalmente automatizada e integrada começar a surgir no Brasil.

Tomando como exemplo os anúncios na home page, prevê-se que o setor crescerá 9,1% até 2018, quase o dobro da média global de 4,7%. Segundo as previsões mundiais, o investimento global em mídia OOH deve chegar a $45 bilhões até 2019. Apesar desse enorme crescimento do mercado, o processo de compra e venda ainda está fortemente alicerçado nos tradicionais métodos manuais de comercialização. No entanto, algumas empresas estão começando a inovar no Reino Unido, na Austrália e nos EUA, e é apenas uma questão de tempo para vermos essas novidades em outros mercados como o Brasil.

A TV ainda é o maior e mais poderoso canal de publicidade,  e a previsão é de que a TV aberta receba 54% do total de investimentos em publicidade em 2018 no Brasil. Novos players estão capitalizando o crescimento da automação para oferecer plataformas confiáveis de anúncios automatizados.

Então, quando esses canais de mídia poderão ser integrados para poder surgir um cenário de mídia totalmente automatizada no Brasil? Não vai demorar tanto quanto você pensa. Com a taxa de inovação, vemos que ele tomará forma em um período de cinco a dez anos. O ideal utópico de uma plataforma unificada capaz de conectar um comprador de mídia a todos os diversos tipos de mídia oferecidos ainda está distante. Mas cada canal/jardim secreto de conteúdo e inventário de anúncios começará a colher os frutos da automação proporcionados pela mídia programática.

Haverá desafios, claro. Muitas empresas de mídia precisarão trabalhar juntas para criar os mesmos processos e métodos. Mas essa união trará grandes benefícios. Todo esse esforço poupará tempo, que poderá ser dedicado a trabalhos mais criativos para agregar valor aos negócios de seus clientes. Também teremos a coleta de muitos dados que, quando compreendidos de forma adequada, darão às marcas insights inestimáveis, ajudando-as a implantar e desenvolver estratégias, desenvolvimento de produtos e ações de marketing mais eficazes.

E qual é a importância disso para os consumidores brasileiros? Eles perceberão os benefícios quando conseguirmos de fato entender a interação deles entre canais com marcas e conteúdos. A partir daí, usaremos este conhecimento para proporcionar a eles uma experiência com as marcas que seja verdadeiramente Omni-Channel.

O cenário de mídia automatizada está se aproximando de forma tentadora. Seus benefícios vão transformar o marketing que conhecemos.