O que fazer com os dados da Internet das Coisas?

Em seu artigo, Edmardo Galli, diretor geral da IgnitionOne na América Latina, fala sobre como estamos apenas no começo da revolução dos dados na publicidade: com o desenvolvimento da internet das coisas, a publicidade passa a obter novas fontes de dados e, consequentemente, o alcance e a precisão de campanhas verão saltos consideráveis. Não estamos falando do óbvio, mas de uma projeção onde até latas de lixo podem ser usadas para melhor entender hábitos e audiência. 
Capacetes com GPS projetado no visor, caixa de remédios que avisa quando é hora da medicação, termostato que se ajusta às preferências do usuário, fechadura que só é destravada pelo celular e lâmpadas controladas por smartphones. Daria um bom filme de ficção científica. E se eu te disse que tudo isso já é real e comercializado?

Você já deve ter ouvido falar da Internet das Coisas. Se não, segue uma breve explicação: ‘IdC’ é o termo que utilizamos para definir dispositivos que possuem a capacidade de obter informações (e consequentemente dados – analisaremos esse ponto mais adiante) do mundo real e enviá-las para uma central que as recebem e conseguem as utilizar de maneira inteligente. Ou seja, de fato são os dispositivos entrando e compartilhando momentos das nossas vidas.

Já temos diversos produtos que cumprem essa função, como os que citei anteriormente. Eles variam de categoria, tamanho, utilidade e, obviamente, tipo de dados coletados. Com esse grande destaque que a Internet das Coisas está tendo na mídia ultimamente, fiquei me perguntando: exatamente quais dados esses aparelhos podem coletar e como eles podem ser utilizados? Quais insights podem ser aproveitados por profissionais de marketing para oferecerem uma experiência mais completa e customizada para cada consumidor? Pensando nisso, imaginei algumas soluções para produtos que já estão no mercado e outros que poderiam entrar nessa lista.

Sapatos
Ok, não é novidade nenhuma que tecnologias que rastreiam movimentos e atividades físicas dos usuários já estão no mercado há um tempo. O sistema Nike+ é extremamente popular e utilizado por vários atletas e aspirantes a Usain Bolt. Mas sapatos e tênis podem ser muito mais do que medidores de atividades físicas.

Imagine, por exemplo, um tênis ligado diretamente a um aplicativo de saúde, monitorando as atividades, mudanças físicas, idas ao médico e alterações de peso. Convenhamos, um tênis monitorando nossas atividades consegue detectar possíveis doenças e anormalidades na saúde muito mais rápido do que aquela visita anual ao médico. Rápido ganho ou perda de peso, por exemplo, podem ser sinais de doenças graves, como artrite ou hipotireoidismo por exemplo.

Esses dados são muito valiosos não só para médicos, mas para profissionais de marketing que buscam entender melhor seus clientes. Pense nesses dados sendo utilizados por empresas de alimentação infantil, tendo grandes insights do comportamento das crianças, associações com estilo de vida, doenças, peso, etc. São inovações que poderiam até mudar o foco da área.

Lâmpadas
A LG possui uma Smart Lamp. Nada mais é do que uma lâmpada de LED que pode ser controlada pelo Smartphone. Pelo celular, é possível não só controlar a intensidade da luz, mas também ajustar a luz de acordo com uma música, programar desligamento da lâmpada e até mesmo deixá-la piscando quando alguém estiver ligando para você. Mas essa tecnologia pode levar a um maior entendimento do consumo de energia da população.

Digamos que, num mundo cada vez mais conectado, uma gigante do mercado como a LG possa ajudar o consumidor a economizar energia. Se ele vai assistir TV, e o smartphone sabe disso, ele pode sugerir que o usuário desligue ou diminua a luz. Se ele mora sozinho e vai tomar banho, por exemplo, ele definitivamente não precisa da luz da cozinha acesa. Se ao acordar ele já liga a luz pelo celular, o aplicativo simplesmente sugere: “Está sol lá fora, por que não abre a janela?”

São sugestões simples, mas que podem ajudar a melhorar o consumo de luz elétrica do mundo. Quem sabe, até compreender hábitos de consumo para uma abordagem ainda mais abrangente. Saber quando o consumidor utiliza a luz elétrica, com qual finalidade, em quais horários do dia pode levar a um perfil completo e maneiras mais efetivas de combater o consumo excessivo.

Latas de lixo
Antes de tudo, não estranhe. Siga meu pensamento até o fim. Por que conectar lixeiras à internet? Para poder recompensar os clientes que jogarem menos lixo fora e reciclarem mais, por exemplo!

Latas de lixo com códigos de barra podem trazer informações sobre o que jogamos fora. E empresas como a Kraft podem se beneficiar muito dessa iniciativa, buscando reduzir a emissão de carbono. Eles poderiam, por exemplo, criar uma campanha de reciclagem baseando-se nos dados que iriam obter do lixo dos seus consumidores. Quanto mais eles reciclassem, mais vantagens teriam. É uma ideia um tanto quanto ousada, mas não foge do que é possível fazer com esse tipo de tecnologia.

Esses são apenas alguns exemplos de uso de dados que poderiam ser aplicados à Internet das Coisas. É um mundo fantástico, onde homem e tecnologia estão integrados para satisfazer a necessidade de todos, sem fazer nada demais, simplesmente vivendo suas vidas. Afinal, esse é o propósito da IdC: funcionar, facilitar e contribuir para o dia-a-dia da população sem muito esforço desta. Os seus benefícios viriam naturalmente, adaptando-se às necessidades de cada usuário.

Alguns se preocupam em relação à quais dados você estaria fornecendo para as empresas. E eu não tiro a razão deles, é estranho saber que a LG tem conhecimento de que horas eu acordo para trabalhar. Mas essa é uma discussão para outro momento, em outro contexto, quando esses dados realmente estiverem sendo coletados, colocados em prática e seus benefícios já sejam mais palpáveis. Por enquanto, vamos apenas apreciar e sonhar com o que a tecnologia tem e terá muito em breve para nos oferecer.