Firmino assume Criteo LATAM: "Mídia programática é um novo canal em toda a região e um caminho sem volta"

Com a chegada de Fernando Tassinari, ex-Turn, para comandar as operações da Criteo no Brasil, Alessander Firmino assume a direção de toda a região latino-americana a partir do hub da empresa em Miami, nos Estados Unidos. Nesta entrevista exclusiva, Firmino conta sobre os negócios regionais em comparação com o Brasil, o mercado latino-americano e explica os motivos pelos quais a sede da empresa em São Paulo não é uma boa opção para o hub latino-americano: “Existem vantagens financeiras e contábeis que claramente justificam essa movimentação das empresas, além da agilidade de fazer negócios a partir de Miami”. Leia abaixo.

ExchangeWire Brasil: O que muda com seu novo cargo, além claro da mudança de escritório para Miami?

Alessander Firmino: Muda a responsabilidade. Além de continuar com a administração da operação no Brasil, agora também tenho o foco de expansão em toda a America Latina.

EWB: Existe uma tendência muito forte de as operações latino-americanas em programático serem comandadas de Miami – a Criteo não é a única. Como isso se justifica, em termos de negócio, em comparação em ter um hub local?

Firmino: A logística de Miami para América Latina é muito mais simples. Os voos a partir de Miami são mais curtos do que a partir de São Paulo, além de ter maior disponibilidade. Por exemplo, de Miami a Cidade do México ou Bogotá, são apenas 3 horas. Mas não é só isso. Existem vantagens financeiras e contábeis que claramente justificam essa movimentação das empresas, além da agilidade de fazer negócios a partir de Miami. A implementação de um hub local exige grande investimento a longo prazo em infraestrutura e pessoas em cada mercado e isso leva tempo.

EWB. Quais foram os resultados que alavancaram essa mudança, foi o desempenho no Brasil? Como foram os últimos resultados gerais em termos de volume de negócio e clientes; e quais soluções da Criteo você destacaria no Brasil?

Firmino: Não podemos divulgar os resultados locais do Brasil especificamente, mas se você avaliar o último relatório de resultados globais e os anteriores, pode ver que a Criteo tem crescido em todas as regiões, principalmente nas Américas. Certamente esse desempenho e a oportunidade de mercado alavancaram essa mudança sim.

EWB: Falar em programático no Brasil é o mesmo que falar em programático na América Latina?

Firmino: No meu ponto de vista sim. A mídia programática é um novo canal em toda a região e um caminho sem volta. Falta ainda aprendizado, mas já existem vários fornecedores e conferências, que trazem mais conhecimento sobre esse assunto para o mercado.

EWB: E qual país latino-americano você destacaria em termos de potencial de mercado?

Firmino: Acredito que o México seja um bom destaque, devido ao tamanho de sua população, novos usuários entrantes, acesso principalmente a internet móvel, estabilidade econômica e proximidade aos EUA, que é um mercado bastante maduro.

EWB: No Brasil, começa-se a falar muito em programático vídeo e mobile como o caminho natural do mercado após o “kickoff” do display. Você concorda com isso, e quais os desafios para atuar nessas áreas?

Firmino: Display programático e vídeo são muito fortes. O Brasil é o país que mais consome vídeos. Mobile é realmente o maior desafio e a grande oportunidade, visto que na Ásia, os consumidores já fazem mais de 50% das suas compras por dispositivos móveis e até o fim de 2015 mais de 40% nos EUA. O Brasil deve ultrapassar a media de 20% esse ano. Entre os maiores desafios, estão a conectividade e a disponibilidade de sites completamente mobile para oferecer uma boa experiência ao consumidor.

EWB: Por fim, escutamos muitas muitas críticas aqui em Londres em relação à falta de transparência no mercado brasileiro, sobretudo envolvendo as agências e a compra de mídia no geral, o que prejudica o desenvolvimento ainda mais rápido do programático. Queria que você comentasse isso.

Firmino: A tecnologia evoluiu muito rápido. Surgiram novos canais, novas mídias, mas as regras continuaram as mesmas desde o início da institucionalização das regras de publicidade no Brasil. Isso, de fato, gera atritos e prejudica o desenvolvimento não só da mídia programática, mas de qualquer outra. Aqui na Criteo fizemos algumas adaptações ao mercado e estamos conseguindo resultados super positivos com as agências.