Totalmente dependente de dados, mídia programática precisa lidar com questões de privacidade

Por Gabriela Stripoli

Apesar da facilidade com a qual as pessoas criam usuários e aparentemente usam identidade anônima na internet, a rede traz conhecimentos e dados sobre o usuário que permitem conhecer desalmadamente seus comportamentos, preferências e interesses. Essa é uma das prerrogativas da mídia programática. Era de se esperar, contudo, que o cenário traz uma questão delicada com a qual o setor deve lidar: privacidade de dados.

Esse foi o primeiro tema do IAB Ad Tech & Data, evento realizado em São Paulo na última terça-feira (12). “Vimos países como a Espanha aplicando multas muito severas sobre uso de dados, e leis, como o Marco Civil, sendo aprovadas para regulamentar o setor”, lembra o presidente do comitê de programático do IAB e country manager do Viber, Luiz Felipe Barros.

Com isso, ele defende a necessidade de as empresas trabalharem para traçar boas práticas para o mercado, um dos principais objetivos da organização dentro do IAB. “E que nós, empresas interessadas nisso, tenhamos voz ativa no governo para que o negócio possa prosperar”, pontua.

O CEO e co-fundador da TailTarget, Cristiano Nóbrega, reforça que mesmo com dados anonimos, é preciso criar algumas regras para o bom funcionamento do negócio e também para garantir que o usuário entenda que as informações sobre ele coletadas não o identifica, apenas cria inferências em seu perfil. “E claro que há restritivos sobre dados sensíveis, o que podem colocar em risco a empresa moralmente e financeiramente”, pondera.

Boas Práticas
É consenso a presunção do opt-in. “Não precisamos da autorização expressa do usuário para coletar informações básicas. Por outro lado, para assegurar o ambiente da coleta de dados é importante que haja menção da coleta e o objetivo dela, que é a entrega de publicidade ou conteúdo mais customizado” , defende Nóbrega.

Ainda que haja algum tipo de resistência, Luiz Felipe Barros, do Viber, destaca a necessidade de cumprir as regras criadas — e refuta a possibilidade de elas travarem o negócio, em analogia ao que acontece em esportes como o futebol. “O futebol tem regras para deixar o jogo mais bonito e competitivo. O mesmo com programático”, compara.

E conclui: “É importante que as pessoas entendam o que a gente está fazendo, essa educação leva tempo”, explica Barros. “Mas é responsabilidade nossa, de empresas do setor, conduzir um trabalho com dados com clientes e também educar sobre essas regras”, finaliza Nóbrega.