Inteligência artificial e singularidade tecnológica: temos algo a temer?

“O futuro é agora”. Embora clichê, a frase nunca fez tanto sentido quanto hoje, pondera Edmardo Galli, CEO Latam da IgnitionOne, em artigo exclusivo ao ExchangeWire Brasil. Aqui, o executivo analisa como os profissionais de marketing digital devem se preparar para a era em que computadores terão inteligência a níveis superiores à inteligência humana.

Enquanto até duas décadas atrás pensávamos no futuro como uma realidade em que os carros voadores e as roupas prateadas dominariam as ruas, atualmente basta um olhar um pouco mais atento para que percebamos que a inteligência artificial já faz parte de nossas atividades diárias.

Para que a enxerguemos, precisamos dissociar nossa visão de IA enquanto elemento de ficção científica e enxergá-la como uma ferramenta para a automação de tarefas. Você já “conversou” com a Siri pelo seu telefone celular, mesmo que para extrair respostas bem humoradas do robô? Já usou GPS para chegar àquele local até então desconhecido? Pois então, seja bem-vindo ao futuro!

Termo que tem ganhado cada vez mais força em discussões acerca do assunto, “Technology Singularity”– como é mais conhecida – ou singularidade tecnológica, em português, é, em poucas palavras, a denominação dada a um evento histórico que a humanidade atravessará nas próximas décadas, quando a inteligência artificial terá superado a inteligência humana, provocando radicais mudanças tanto em nossa civilização, quanto em nossa natureza.

A ideia é oriunda de um artigo do cientista e escritor Vernor Vinge, denominado “The Coming Technological Singularity: How to Survive in the Post-Human Era”, de 1993. O texto previu o acontecimento do evento para até 2030.  Por sua vez, Raymond Kurzweil, Diretor de Engenharia do Google, acredita que em 2029 os computadores já terão inteligência a níveis superiores à inteligência humana.

Em 2011, Watson, um computador desenvolvido pela IBM, participou com dois jogadores humanos de um game show de perguntas e respostas que exigiam alguma habilidade com linguagem e não apenas raciocínio lógico. Ao final do jogo, Watson foi o vencedor. É claro que estamos falando sobre uma inteligência que nem se compara à humana, mas já é hora de acendermos um alerta sobre o que podemos esperar do futuro.

Já em 2016, o AlphaGo, do Google, venceu Lee Sedol, campeão mundial de Go – um jogo de tabuleiro que, em poucas linhas, consiste na captura das peças de seus adversários. Mesmo com partidas acirradas, o AlphaGo venceu quatro das cinco partidas.  Já ao final de 2017, o AlphaGo foi derrotado pelo AlphaGo Zero, sua nova versão. Vemos aí o quão depressa a tecnologia de IA está avançando e o quão reais são as previsões de Vinge e Kurzweil.

Edmardo Galli, CEO LATAM da IgnitionOne

Segundo um estudo da Universidade de Oxford, de 2013, cerca de 47% dos empregos nos Estados Unidos — como motorista, atendente de telemarketing e recepcionista — estavam sob risco de desaparecer nos próximos 20 anos como resultado da automatização. Uma vez que as máquinas assumem o comando dos trabalhos manuais e repetitivos – e o clássico “Tempos Modernos” de Charles Chaplin parece estar cada vez mais distante – e a Inteligência Artificial evoluiu ao ponto de executar trabalhos que exigem raciocínio lógico, onde a força de trabalho humano ainda pode ser útil e, por que não, indispensável? Seremos dominados pelas máquinas?

Mas afinal, temos algo a temer? 

As ameaças e perigos que a concretização de tais premissas pode trazer geram muita confusão. Os acidentes recentes com carros autônomos da GM acenderam as inseguranças acerca da substituição humana em tarefas diárias.

Além de temer substituições drásticas no mercado de trabalho, muitos não veem razões pelas quais essas máquinas, tão intelectualmente superiores a nós, poderiam nos respeitar. Afinal, estamos falando de “vidas” e “indivíduos” cujos valores éticos e morais desconhecemos.  

No entanto, tanto para Vinge quanto para Kurzweil, esse grande breakdown não é uma inevitabilidade nem uma premissa necessariamente negativa. Aliás, Kurzweil coordena o projeto Singularity University, no Vale do Silício. Desde 2008 a entidade oferece cursos focados em educar líderes que “guiarão” o desenvolvimento dessas supermáquinas, “educando-as” com valores éticos e morais semelhantes aos nossos.

Outro mindset interessante é vermos a IA como aliada. Afinal, atualmente, tais máquinas não operam sem parceria humana. É o ditado “se não pode contra eles, junte-se a eles” elevado à enésima potência.

Por exemplo, a tecnologia que permite que próteses integrem-se ao corpo humano e operem como partes nativas do corpo são o prenúncio do que pode ser um prolongamento da vida humana. Olhando para nossa indústria de publicidade digital, por exemplo, a IA pode impactar diretamente na estrutura das agências, transformando o papel dos criativos. Por outro lado, o uso de dados torna a publicidade mais eficiente e aumenta o retorno sobre o investimento ao anunciante, além de ampliar seu valor junto ao consumidor, que receberá uma comunicação mais alinhada a seus interesses.

É importante salientar que, embora a Inteligência Artificial caminhe a passos largos, as previsões catastróficas aqui citadas são apenas especulações. Desse modo, embora estudiosos futuristas e até mesmo a ficção científica sejam tão incisivos sobre tais perigos, essa não deve ser a nossa preocupação no momento.

Como vimos, por mais que todas essas mudanças pareçam muito complexas à primeira vista, é importante estarmos atentos às atualizações do assunto e à inteligência artificial e seus produtos, visto que muitas deles são de suma importância e já fazem parte de nossos dias. Afinal, estamos falando sobre tecnologias de ponta que tem potencial de resolver problemas que há tempos assolam a humanidade e cujas implicações são interessantes para todos, quer sejam especialistas no assunto ou leigos.